Da nebulosidade inicial, o Homem limpa os olhos, descobre o silêncio, caminha para o dia em direção à luz. O sagrado não se oculta, está em si, nele, no Homem, à procura da claridade que decorre por entre as mãos.
Do obscuro saber, o mito esmaga a exterioridade, leva o Homem à viagem interior, onde as cores revelam a presença do sagrado que se esmagam no encontro da sensibilidade, no ventre.
Da coisificação absurda, rodeante, o Homem projeta no universo, na tela, a desordem onírica, que espera, necessita, do olho, da água, da lágrima que dá ordem, sentido.
Na inquietude individual, o artista, o pintor, olha o mito, agarra a cabeça, mergulha nas cores, limpa os olhos, desvela a vida.
A Vida...

sexta-feira, 2 de março de 2012


Desenhei um sorriso no céu
Para o veres
Segredei ao vento
Para o sentires
Toquei no sol
Para te aqueceres
Às ondas do mar
Para te embalarem
À escuridão
Para não teres medo
Pedi à lua
Para te adormecer
E ao tempo
Para o esqueceres

                                                                 Sílvia Mota Lopes

Sem comentários: